O MEDO QUE A ELITE TEM DO POVO É MOSTRADO AQUI

A Universidade de Coimbra justificou da seguinte maneira o título de Doutor Honoris Causa ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”

Clique na imagem abaixo e conheça o "Quem tem medo da democracia?" - sucessor deste blog

Clique na imagem abaixo e conheça o "Quem tem medo da democracia?" - sucessor deste blog
Peço que, quem queira continuar acompanhando o meu trabalho, siga o novo blog.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Brasil entre a classe média e a classe mérdia


O Brasil entre a classe média e a classe mérdia

Cresci ouvindo que “o povo brasileiro não sabe votar”. É engraçado, pois quem fala isso, a antiga classe média brasileira, a qual pertenço, não se considera povo. Mas veja você, leitor, a quem eu peço ao menos a atenção a essas primeiras frases, o que um rápido olhar para a história nos revela. Quem estava ao lado de Lacerda contra Getúlio, o maior estadista brasileiro, criador da base do desenvolvimento brasileiro e das primeiras garantias sociais, e comemorou sua morte?

Por Gustavo Arja Castañon (*)

Cresci ouvindo que “o povo brasileiro não sabe votar”. É engraçado, pois quem fala isso, a antiga classe média brasileira, a qual pertenço, não se considera povo. Mas veja você, leitor, a quem eu peço ao menos a atenção a essas primeiras frases, o que um rápido olhar para a história nos revela.
Quem estava ao lado de Lacerda contra Getúlio, o maior estadista brasileiro, criador da base do desenvolvimento brasileiro e das primeiras garantias sociais, e comemorou sua morte?
A maioria da classe média. O “povo” (os pobres) ficou órfão, e saiu de seu silêncio em pranto e desespero no dia seguinte.
Quem estava do lado do Globo e do mesmo corvo contra JK, acusando o maior realizador e democrata da história do Brasil de ser o mais pérfido corrupto a se tornar presidente, de ter a terceira fortuna do mundo e apoiando duas tentativas de golpe contra ele?
A maioria da classe média, o povo adorava Juscelino, o elegeu, e teria o conduzido a um segundo mandato em 65.
Quem elegeu um Jânio alcoólatra e fascista, pela moral, contra o honrado General Lott?
A maioria da classe média brasileira, sempre ávida por engolir e vomitar o discurso de que o problema do Brasil é a corrupção, para esconder que o problema é o governo para poucos.
Quem foi às ruas por “Deus, a Família e a Liberdade”, em nome da democracia, pedir a ditadura militar e derrubar o presidente reformista João Goulart?
A maioria da classe média brasileira, o povo tinha rejeitado o golpe parlamentarista um ano antes e estava com Jango.
Quem em silêncio apoiou o regime militar, que torturava e matava, e assistiu o endurecimento do regime com satisfação?
A maioria da classe média brasileira, o povo, assim que as primeiras eleições gerais se deram no país, elegeu em 76 o PMDB de norte a sul, em 82 elegeu Brizola contra a Globo e a fraude, em 84, forçou a Globo a mudar de lado quando um milhão de populares lotaram a Cinelândia pedindo diretas.
Quem em 89 elegeu Collor, com a mesma ladainha janista e udenista de limpeza da corrupção, aterrorizados com o operário a um passo do planalto?
Vocês sabem. Vocês se lembram.

O que era comum a todos esses momentos? 1º) O discurso da moralidade. O “mar de lama no Catete”, o “governo mais corrupto da história”, o “varre-varre vassourinha”, o “caçador de marajás”. 2º) Os mesmos órgãos de comunicação. Folha, Jornal e Rede Globo, Estadão (JT), e depois Veja, nascida com o AI-5. 3º) O discurso de ameaça à democracia dos órgãos de comunicação que nasceram ou cresceram apoiando a ditadura.
Alguma coisa mudou em 60 anos? Não. Se você quer saber quem está a favor do golpe, da ditadura, do atraso e dos privilégios, procure os criminosos de sempre.

Agora então me respondam: quem poderia, oito anos depois do governo mais ruinoso da história da República, que ficará para a história como o governo que queimou o patrimônio público estimado pelo mercado em 400 bilhões em privatarias por menos da metade do valor, que ainda assim, ao invés de liquidar uma dívida interna de 65 bilhões de reais a deixou em 870 bilhões, que fez a dívida externa explodir e chegar a 230 bilhões de dólares, que condenou uma geração inteira ao desespero do desemprego, que pagou os maiores juros já vistos na história do mundo, que produziu o primeiro apagão energético da história do país, destruiu e privatizou nossa malha rodoviária, sucateou as universidades públicas, passou oito anos sem reajustar o funcionalismo, a achatar o salário mínimo, aumentar a concentração de renda e não nos legou uma obra de infra-estrutura relevante sequer, quem poderia, repito, tentar reconduzir este partido e um dos principais nomes deste governo ao poder somente oito anos depois? Só mesmo a antiga classe média brasileira. O povo (que não sabe votar), nunca.

Mas não só isso. Quem votaria ao mesmo tempo contra um governo que recebeu o Brasil arruinado, e em oito anos não privatizou uma empresa pública sequer, conteve com responsabilidade e enorme esforço fiscal e político a explosão da dívida pública, quitou a dívida externa da esfera federal e nos tirou do FMI depois de décadas de desgraça, que gerou quinze milhões de empregos com carteira assinada, que reduziu os juros que recebeu à casa dos dez pontos percentuais, que construiu e reconstruiu estradas sem privatizar uma sequer, que reajustou os salários do funcionalismo e reergueu as universidades públicas, que triplicou o valor em dólar do salário mínimo, e finalmente promoveu a mais rápida DESCONCENTRAÇÃO DE RENDA da história brasileira? Só mesmo a antiga classe média. O povo (que não sabe votar), nunca.

Quem está tentando cometer mais esse crime contra o Brasil é a antiga classe média brasileira. Uma classe que acha que ser informado é ler Veja e escutar CBN. Uma classe que tem como modelo de homem o Donald Trump. Uma classe hipócrita que fala de honestidade e vota no PSDB e no DEM. Uma classe que, sendo pé rapada, mimetiza os valores da elite colonial brasileira, vota de acordo com os interesses da “alta sociedade” para se sentir parte dela. Que acha que só pode garantir seu lugar social mantendo um exército de miseráveis e ignorantes para servi-la. Uma classe que despreza seu país e seu povo, sonha em viver em Miami e pensa com Arnaldo Jabor que o povo brasileiro é babaca. Uma classe que não perdoa governantes que distribuem renda e que alteram as estruturas da injustiça social, que acha que os miseráveis brasileiros deveriam morrer de fome, pois perderam a guerra da vida e fizeram filhos demais. Uma classe que pede “paz” mas vota contra quem faz justiça social, sonhando uma paz sem justiça. Uma classe que considera humilhante que um ex-retirante nordestino operário governe seu país. Uma classe que pensa que é média mas que é baixa. É baixa economicamente (comparada a outras classes médias), é baixa culturalmente, é baixa intelectualmente. Uma verdadeira classe mérdia: a classe mérdia brasileira.

Mas algo mudou no governo do operário. Essa classe recebeu o afluxo de novos 32 milhões de brasileiros. E então começou a verdadeira batalha dos meios de comunicação que vemos nesta eleição. E ela não é eleitoral, é mental e espiritual. Eles podem perder outra eleição, mas não a mente da classe média. Pra isso, precisam lavar a mente e comprar a alma desses novos membros, fazendo com que eles traiam aqueles que são os responsáveis por sua ascensão e se fundam com a antiga classe mérdia, passando a mimetizar os valores e atitudes da imoral e incompetente elite brasileira.
Mas esses novos membros podem também levar a maioria da classe média para o lado do povo e da história. E essa é a batalha dessa eleição. Se essa nova classe assumir seu destino como fez o povo brasileiro, e seguir seu exemplo dando as costas para seus algozes, o Brasil estará finalmente liberto. Quando a maioria da classe média passar finalmente a votar de acordo com seus verdadeiros interesses, nada mais poderá segurar este fantástico país. Se isso não acontecer agora, o Brasil vai continuar devendo todo seu progresso à lealdade e sabedoria da maior parte de seu povo mais humilde, que sabe votar e que jamais trai governantes que melhoram sua vida.

Vamos ver dia 31, se nos tornamos uma grande classe média ou se simplesmente passamos a ser uma classe mérdia ainda maior, discursando pela moral e votando contra a justiça social e sua própria melhoria de vida. O Brasil só pode perder essa eleição se ela for fraudada por seu sistema eleitoral invulnerável à fiscalização. Mas para ganhar ou para perder, eu vou estar do lado do meu país, do lado do óbvio, do lado do povo e da história. EU VOU VOTAR NA DILMA, esperando não só vencer, mas também enfrentar em breve, de novo, a mesma escória midiática discursando pela democracia e moralidade e tentando derrubar a legítima e primeira presidenta eleita. Espero enfrentar essa luta, no entanto, num país diferente, numa nova classe média que apóia quem melhora seu país. Se isso não acontecer, só me restará além de lutar, rezar muito. Rezar para que Deus abençoe e proteja o leal, trabalhador, pacífico, bondoso e sábio povo brasileiro.

*Gustavo Arja Castañon é professor adjunto do departamento de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora e, a partir de hoje, colabora com o blog "Quem tem medo do Lula?".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este blog não está subordinado a nenhum partido. Lula, como todo ser humano, não é infalível. Quem gosta dele (assim como de qualquer pessoa), tem o dever de elogiá-lo sem nunca deixar de criticá-lo. ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Todas as opiniões expressas aqui, em conteúdo assinado por mim ou pelos colaboradores, são de inteira responsabilidade de cada um. ----------------------------------------------------------------
Comentários são extremamente bem-vindos, inclusive e principalmente, as críticas construtivas (devidamente assinadas): as de quem sabe que é possível e bem mais eficaz criticar sem baixo calão. ----------------------------------------------------------------------------------------------
Na parte "comentar como", se você não é registrado no google nem em outro sistema, clique na opção "Nome/URL" e digite seu nome (em URL, você pode digitar seu site, se o tiver, para que clicando em seu nome as pessoas sejam direcionadas para lá, mas não é obrigatório, você pode deixar a parte URL em branco e apenas digitar seu nome).-----------------------------------------
PROCURO NÃO CENSURAR NADA, MAS, POR FAVOR, PROCUREM NÃO DEIXAR COMENTÁRIOS ANÔNIMOS. NÃO PODEMOS NOS RESPONSABILIZAR PELO QUE É DITO NESSES COMENTÁRIOS.

Att,
Ana Helena Tavares - editora-chefe

Creative Commons License
Cite a fonte. Todo o nosso conteúdo próprio está sob a Licença Creative Commons.

Arquivo do blog

Contato

Sugestões podem ser enviadas para: quemtemmedodolula@hotmail.com
diHITT - Notícias Paperblog :Os melhores artigos dos blogs